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Jefferson Melo - Tecnólogo em Radiologia Médica- Brasil



























Jefferson Melo
 
segunda-feira, maio 12, 2003  
Este texto a seguir, eu o escrevi a algum tempo para o site de um amigo, chamado: www.paranóia.pop.com.br vale a pena ler:


Último Conto


Ele tomou um trago daquele líquido róseo. Parou-se o pensamento e naquele instante fez-se outro. Ruiu o muro e por detrás o filme surgiu-lhe aos olhos à medida que, rosa-sangue, descia-lhe goela abaixo.


Sua infância, num momento simbolizada naquela fotografia - ele e sua irmã abraçados embaixo de uma bananeira - num outro, quando das brigas e hematomas conseguintes. Depois, na caminhonete de seu pai quando fora buscar sua irmã na maternidade.


Infância resumida em poucos dois amigos legítimos. Um que de sua criancice era perfeito nas brincadeiras; o outro na adolescência e festas, essencial para o desenvolvimento de sua personalidade. Garotas e garotos rodaram a mil naquela época da descoberta de ambos e muitos. As primeiras bebedeiras e porres... As transas, putarias, surubas; fetiches; boquetes, siriricas e por fim punhetas, nos quatorze anos de cada um. Drogas & "drugs", sexo e um pouco de "Rock nothing of Roll".


Filme através do rodado muro da vida de uns nos outros.
Caminhadas matinais, noturnas às 5:00 a.m. ou às 8:00 p.m.
E pensa: A vida foi curtida ao máximo por esse cara neste meio tempo de vida. Penso que hoje é o normal fumar, fuder, beber e fumar um, o de menos nesta juventude que aí está; mas ele... eu... orgulho-me! Fui pioneiro! Será que errei? Fui dos primeiros e errei?



O filme se vai rodando.
Sua vida é passada.
Acaba. Vida futura?


Lembra-se de um poema, este reflete-se na tela agora em branco:



Acaba
E nem pude lhe dizer o quanto fui feliz,
Tenho apenas Alguns Segundos Para dizer-te o que...


- Não, não... não era isso.. Como então? Será:



"Em minhas últimas palavras,
Peço perdão à poesia
Se de alguma forma a ofendi,
Foi apenas uma proeza,
Mas nunca uma ofensa.
Não quero que suas palavras fiquem dispersas,
Nem mesmo que meus textos tenham sido lidos com muita pressa.
Ao Longe porém fiz uma escolha,
Pois a criação faz algo inesperado
E não gostaria que este algo fosse mudado.
Não quero alcançar o brilho,
Quero apenas alcançar o caminho de volta
Para o encontro com a minha sensatez!"

Aline Araújo Barcelos


- Putz! Que vida!...


Senta-se desolado sobre o chão. Volta os olhos à tela: tudo ali. A época das caronas. Coisas de que não mais se lembrava. Histórias de homicídios, morte-espírito, como a do Advento; e surgiu outra película:


"- Homem trabalhador, de consideráveis posses, meu pai fora assassinado ano passado. Minha filha, está aí no banco de trás, não me deixa mentir. A pobre sofrera muito a ausência do avô."
- E como ocorrera isso?!
"- Possuímos uma pequena chácara no Novo Mundo, além de duas escolas do Advento do Sétimo Dia, uma lá e outra aqui, nessa cidade...
- Papai e mamãe mudaram-se para cá pra poderem viver mais tranqüilos...
- Resumindo: uns vizinhos invadiram o local e o obrigaram a assinar um papel-testamento em favor deles, dos bandidos, daí mataram-no."


- Putz! Que vida!... Que vida!...


Lembrava os detalhes seus. Seus bens, nada de mais: uma casa herdada de sua mãe que fora dividida com a irmã; um carro; e algum dinheiro num banco. Filhos não os tivera apenas sobrinhos que o detestavam. Sentimento comum de ambas as partes, o ódio, dele e de seus familiares, estagnado era, e se mantivera, nunca mais nem menos, apenas ódio de Constância; Constantine, constantinôplo ódio... No telão presentes no lixo, comentários à mesa...


Afinal, o que levara-o àquele róseo licor amargo do veneno... talvez... a tristeza dos quarenta e cinco e solitários anos, e... com a resposta no vídeo, na tela, ele se deita...
... e morre!




Jefferson Melo


2:17 AM

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